
sobre o Dogo Argentino
Dicas para quem quer adquirir um Dogo Argentino
É
impossível não se apaixonar pelo Dogo Argentino...
À primeira vista, temos o impacto de sua beleza extraordinária
- seu porte robusto mas elegante, sua pelagem branca, seu olhar, a princípio,
indecifrável...
Depois, quando o conhecemos melhor, o "amor à primeira vista" se consolida e se aprofunda.
O Dogo é ao mesmo tempo brincalhão e guardião, meigo
e rude, bonitinho e atemorizador, preguiçoso e incansável,
submisso e dominante. Para seu dono, familiares e amigos, é um poço
de doçura e meiguice. Para invasores e inimigos é o próprio
perigo, capaz de perder sua vida defendendo seus humanos queridos.
O contato com os donos e as pessoas da casa é algo imprescindível
a um Dogo. Ele simplesmente adora um carinho. Sempre vai estar onde estão
as pessoas, provavelmente encostado em alguém. Li em algum lugar
que um Dogo jamais deita a seus pés - ele deita nos seus pés.
O temperamento do Dogo é maravilhoso. Quando criado em condições
normais, com carinho e atenção do dono, se torna um animal
tranqüilo e confiante.
O Dogo idolatra seus donos. Não é incomum, ao ser repreendido
por ter feito algo errado, vir "pedir desculpas".
É muito difícil descrever todos os atributos dessa raça
maravilhosa. É um cão que lhe dá um amor incondicional.
Ele sempre vai querer estar onde você estiver; sempre vai estar disposto
para uma caminhada, uma brincadeira, ou quem sabe, uma caçada; sempre
vai perceber se você está triste (e vai ser solidário),
se você está bravo (e vai respeitar seu humor); sempre vai
perdoar você quando você errar; sempre vai ser seu companheiro
em qualquer empreitada (mesmo que você esteja arrumando a bagunça
da garagem, ele vai querer "ajudar" você). Enfim, vai ser
seu amigão.
É tarefa impossível traduzir em palavras a convivência
com um Dogo. Somente aqueles que já conviveram com um poderão
realmente entender!
Val e Rogers
Texto elaborado pelo Criadero Verdes Pampas
NÃO
PUBLIQUE SEM AUTORIZAÇÃO!
Direito de autoria amparado
pela Lei 9610/98, em relação ao texto mais especificamente
Art. 7º, inciso I, além do Art. 18.
Vamos
falar em termos gerais sobre as fases da vida do Dogo, pois, assim como
os seres humanos, cada cão tem seu próprio ritmo de amadurecimento
e envelhecimento, tanto em termos físicos quanto comportamentais.
Alguns cães, mesmo adultos, podem ter atitudes de filhotes e o contrário
também... assim como dois cães da mesma idade, recebendo o
mesmo tratamento em termos de alimentação, cuidados veterinários
e meio ambiente podem envelhecer em ritmos diferentes, mais lenta ou rapidamente,
em função da sua carga genética.
Em termos gerais, podemos dizer que o Dogo Argentino é filhote até
pelo menos um ano de idade. De um ano até a idade de dois anos, seria
uma adolescente. A partir daí é uma adulto e, ao redor dos
cinco anos atinge sua plenitude, começando lentamente o processo
de envelhecimento. A expectativa de vida é de 12 a 14 anos.
Depois de gestação de aproximadamente 60 dias (como em todas
as raças), nascem os Doguinhos. Nos primeiros dias, o filhote é
totalmente dependente da mãe – a única ação
de que é capaz é rastejar em direção à
fonte de calor (a mãe) e mamar. Nessa fase, depende da mãe
até mesmo para micção e defecação, que
acontecem somente com o estímulo da cadela, ao lamber o filhote,
e também para manter-se aquecido, pois é dependente das condições
térmicas exteriores.
Por volta dos 10 a 15 dias, quando o filhote abre os olhos, inicia um período
de transição, também chamado “fase de despertar”
que termina quando o filhote começa a ouvir, ou seja, reagir a ruídos
(aproximadamente na quarta semana). Após abrir os olhos o filhote
começa a dar os primeiros passos e na terceira semana começa
a ingerir alimentos sólidos em complementação ao leite
materno.
A partir dos trinta dias o filhote já tem dentinhos e está
apto a ingerir ração seca, e pode ser iniciado, progressivamente,
o desmame. Ao redor dos cinqüenta dias o filhote já deve estar
parcialmente imunizado com a primeira dose da vacina e pode ser entregue
ao seu proprietário. O proprietário não deve levar
o filhote a locais de risco (locais onde circulam outros cães) até
que complete a vacinação e esteja devidamente imunizado, o
que ocorre ao redor dos três meses de idade.
O primeiro cio das fêmeas pode ocorrer dos 6 aos 18 meses. Observamos
que nas Dogas ocorre geralmente ao redor dos 8 meses. Embora já tenham
tido o primeiro cio, são filhotes ainda e não estão
preparadas para reproduzir.
A
partir de um ano de idade o Dogo se torna um “adolescente”.
Com essa idade a maioria já atingiu sua altura definitiva, embora
sua “largura” ainda continue aumentando pelo menos até
os dois anos, alguns até os três, em função do
incremento da sua musculatura. A cabeça também não
está pronta, observando-se seu crescimento até os dois ou
três anos.
Ao redor dos dois anos o Dogo pode ser considerado um adulto. Torna-se um
cão mais tranqüilo e protetor do dono e da casa, sempre alerta
para o que ocorre a sua volta. Mas nem por isso deixa de ser um cão
brincalhão e alegre, características próprias da raça.
Aproximadamente aos cinco anos o Dogo atinge sua plenitude e começa lentamente o processo de envelhecimento. O ritmo vai depender de fatores genéticos (que não se pode controlar) e ambientais, como alimentação e condições sanitárias, mas em geral, a partir dos 8 ou 9 anos o Dogo pode ser considerado idoso. Cada vez o cão fica mais calmo e menos disposto a aceitar provocação dos mais jovens e também tende procurar cada vez mais a companhia do dono, que deve saber aceitar o envelhecimento do seu companheiro. É a hora de retribuir tudo de bom que o cão proporcionou, proporcionando a ele uma velhice com paz e carinho.
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O
Dogo é um cão muito rústico e em geral não requer
cuidados especiais além de uma boa alimentação, um
local adequado e o carinho do dono.
Seu ponto fraco, por ser branco, é a pele, estando mais vulnerável
a dermatites, fungos e agentes externos em geral, especialmente no clima
brasileiro, quente e úmido na maioria das regiões.
Nesse sentido, os cuidados mais importantes seriam:
• banho: deve ser esporádico (somente quando necessário),
pois retira a oleosidade normal da pele, que é uma proteção
natural do cão contra agentes externos. Como possui pêlo curto,
uma escovação semanal para retirada dos pêlos mortos
é suficiente. Quem tem Dogos sabe que eles são “autolimpantes”
– podem estar totalmente embarrados em dia e amanhecerem brancos no
dia seguinte. Além disso, não têm cheiro, a menos que
vivam confinados em um espaço pequeno.
• local onde vive: deve ser livre de umidade e limpo. Quanto menor
o espaço, mais rígida deve ser a higiene, a fim de evitar
que o cão tenha contato com detritos como fezes e urina. Ao mesmo
tempo deve-se evitar que o cão tenha contato com os produtos químicos
utilizados nessa higienização.
• regiões com muita incidência de sol: alguns recomendam
o uso de protetor solar. Particularmente considero uma indicação
totalmente inócua, uma vez que é de difícil implementação,
pois, para efetivamente proteger, o filtro solar deveria ser aplicado várias
vezes ao dia, todos os dias. Entendo que é importante disponibilizar
para o cão uma boa sombra, como de uma árvore bem ramada ou
um telhado alto onde possa abrigar-se do sol. E água fresca à vontade, sempre.
• além disso, como qualquer cão, deve ser mantido livre
de pulgas e também carrapatos.
Outros cuidados:
• Por ser uma raça de grande porte, está mais sujeita
à ocorrência da torção gástrica. Para
evitá-la, o cão deve ter sua ração diária
dividida em duas refeições, oferecidas pela manhã e
à noite. Pelo mesmo motivo deve-se evitar que o cão faça
exercícios vigorosos logo após as refeições.
Se for um cão muito ativo, o ideal é prendê-lo por uma
hora ou duas após cada refeição.
• Outra característica que a raça compartilha em função
do seu porte, é a acentuada curva de crescimento. Enquanto um Poodle
adulto pesa cerca de 20 vezes o peso ao nascer, o Dogo tem seu peso multiplicado
em 80, 90 vezes. Portanto, sua curva de crescimento é muito maior
e conseqüentemente as necessidades nutricionais também. Mas,
além disso, para garantir a correta formação de suas
articulações, é recomendável oferecer ao filhote
um local onde possa, diariamente, correr e brincar, exercitando-se naturalmente.
Embora esse exercício natural e voluntário seja altamente
benéfico e necessário, até os doze meses é desaconselhável
exercícios “forçados”, como correr na guia, arrastar
peso, etc. Ou seja, tanto a carência quanto o excesso de exercícios
são prejudiciais.
• Deve-se também evitar pisos escorregadios e assegurar que
o cão tenha acesso ao sol.
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A adequação da nutrição será determinada por dois fatores:
1)
qualidade dos ingredientes
Sempre conferimos o percentual de proteína indicado na embalagem
da ração. Entretanto, de nada adianta ser um percentual alto,
se a fonte da proteína for de baixa digestibilidade. Por exemplo,
penas de frango são uma fonte de proteína, mas o cão
não irá absorver essa proteína. Da mesma forma, soja
também é fonte de proteína, mas o cão necessita
de proteína animal. Aí reside a grande diferença entre
as rações populares e as rações superpremium
ou premium, passando pelas standards. As rações populares,
para obterem um baixo preço, são elaboradas à base
de subprodutos de milho, soja, etc, itens de baixíssima digestibilidade
para o cão – ou seja, ele aproveita muito pouco do que come.
Por outro lado, as rações de maior qualidade, são mais
caras porque utilizam em sua composição proteínas de
fontes nobres, como carne de aves, ovelha, etc, itens altamente digestíveis
para o cão.
Sendo altamente digestíveis, a quantidade a ser fornecida de uma
ração superpremium é muito menor do que a quantidade
de uma ração popular. Por isso, na hora de escolhermos a ração
para o nosso cão, não podemos simplesmente comparar o preço
por quilo, pois é possível que a ração popular
acabe custando mais, em função da maior quantidade.
Outro benefício de fornecer uma ração superpremium
ao cão é a redução do volume de fezes. A ração
superpremium, além de ser fornecida em menor quantidade, é
muito mais digerível, reduzindo consideravelmente o volume fecal.
Alimentação caseira não é aconselhável,
pois é muito difícil balancear adequadamente todos os nutrientes
que o cão necessita. Mesmo que se forneça uma alimentação
baseada em carne e legumes, como calcular as quantidades de cálcio,
fósforo, vitaminas, etc?
2)
composição do alimento
Cada tamanho de cão necessita composições diferentes,
em cada etapa de sua vida. Um filhote, por exemplo, tem necessidades enérgicas
e nutricionais muito superiores ao um adulto, afinal ele está em
formação. Além disso, um filhote de raça grande
terá necessidades distintas de um filhote de raça pequena.
Por exemplo, um filhote de raça grande necessita mais cálcio
que um filhote de raça pequena. Entretanto, um filhote de 20kg come
apenas 1,5 vezes mais (em energia), do que um filhote de 10kg da mesma idade.
Se o filhote de raça grande comer a mesma ração do
filhote de raça pequena, sofrerá deficiência de cálcio.
Por isso a importância de utilizar a ração específica
para a fase de vida do cão (filhote, adulto, idoso) e para seu porte
(pequeno, médio, grande e gigante).
A
nutrição do filhote de raça grande como o Dogo é
especialmente importante, pois sua inadequação pode resultar
do aparecimento de problemas de malformação do esqueleto.
O filhote deve comer uma ração de qualidade, em quantidade
nem menor, nem maior do que suas necessidades. Alimentação
em excesso levará a um crescimento acelerado, fazendo com que atinja
a idade adulta mais cedo, conseqüentemente submetendo seu esqueleto
imaturo a um trabalho excessivo, que pode levar a malformações
de ossos e articulações.
Um erro freqüente é suplementar a alimentação
com complementos ricos em cálcio. Assim como a deficiência,
o excesso de cálcio também é perigoso, podendo levar
à inibição do crescimento e malformação
de ossos e articulações. Ao oferecer uma ração
de qualidade, adequada ao tamanho e fase de crescimento do cão e
na quantidade indicada, não é necessário fazer qualquer
tipo de complementação, a não ser que indicada pelo
veterinário.
Texto elaborado pelo Criadero Verdes Pampas
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um Dogo Argentino
Antes
de mais nada, certifique-se de que o Dogo é a raça adequada
para você. É um cão muito amoroso e carinhoso e necessita
o contato com o dono e as pessoas da casa. Portanto, é um cão
para quem curte, para quem quer um companheiro, um amigo.
É um excelente guarda, muito corajoso, irá proteger sua família
com a própria vida se necessário. Entretanto, não deve
ser deixado sozinho, fazendo guarda em um depósito, por exemplo.
Irá sentir muito a ausência do dono.
É um cão equilibrado, brincalhão, ativo sem ser hiperativo,
destemido, fiel, inteligente, confiável. Gosta de crianças
e tem muita paciência com elas.
É um cão de grande porte e um atleta por natureza, necessita
espaço para exercitar-se ou passeios diários. Possui caráter
forte e seu dono deve educá-lo com justiça e bom senso.
•
Estando certo da aquisição, pesquise muito.
• Leia o padrão e olhe fotos, tente identificar o tipo que
você mais gosta.
• Entre em sites de criadores.
• Visite os canis se possível.
• Veja se os cães são bem tratados, bem alimentados,
possuem espaço para correr e brincar.
• Pergunte ao criador sobre o temperamento de seus cães, se
ele sociabiliza os filhotes.
• Peça fotos de cães da sua criação.
• Não se baseie somente no preço de aquisição,
ele representa menos de 10% do que você irá gastar com seu
cão ao longo da vida.
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Educar
não é o mesmo que adestrar – é algo bem mais
profundo e pessoal, que estabelece as bases da relação entre
o dono e seu cão.
Adestrar é ensinar o cão a fazer coisas, como andar na guia,
sentar, ficar, deitar, etc.
Educar é impor limites, é mostrar o que pode e o que não
fazer. Educar é o dono ensinar o cão a lhe obedecer, a lhe
respeitar.
O adestramento pode ser feio por outra pessoa, mas de nada adianta se o
cão não respeitar o dono. É muito comum cães
serem adestrados, obedecerem perfeitamente aos comandos do adestrador, mas
nem darem ouvidos aos seus donos.
A educação deve começar no instante em que o dono levar
seu cão para casa. Não importa tanto se é um filhote
de 45 dias ou de 8 meses, pois é uma relação personalíssima
e nova que vai se criar. Ele poderia respeitar o criador e agora não
respeitar você, pois caberá a você mostrar ao cão
sua superioridade hierárquica e ser merecedor do respeito dele.
O adestramento de obediência é muito útil e sempre é
bem vindo. A questão é deixar claro que não adiantará
adestrar o cão se ele não obedece ao dono.
Educar
um dogo é tarefa relativamente fácil – basta bom senso.
1. Seja coerente: não quer que ele suba no sofá? Então
nunca permita. Se você permite hoje, não poderá ficar
bravo se encontrá-lo no sofá amanhã! O cão não
irá entender que depende do seu humor ele poder subir ou não.
2. Seja justo: o Dogo jamais deve ser punido se não fez nada errado.
Se estiver de mau humor, por favor, não desconte no pobre. Por outro
lado, sempre que fizer algo errado, deve receber punição proporcional
(e aqui entra o bom senso). Lembre-se que o castigo só deve ser aplicado
se o cão for pego em flagrante. Do contrário, ele não
saberá porque está sendo punido.
Educar não significa amedrontar o cão. Ele deverá lhe
respeitar porque você é o chefe, não porque morre de
medo de você. Cães vivem em hierarquia entre eles, estão
acostumados. E gostam, pois cabe ao líder alimentar e proteger a
matilha. E isso é você quem faz, portanto, você é
o líder, só deve deixar isso claro ao seu Dogo.
Na prática:
O
filhote deve começar a ser educado ainda no criador. A infância
é um período muito importante, pois ele está extremamente
sensível e maleável para o aprendizado. Nessa fase, o criador
deve iniciar sua sociabilização, impondo-lhe a hierarquia
e habituando-o ao convívio com as pessoas e outros animais, reforçando
comportamentos desejados e reprimindo os indesejados.
Quando o dono recebe o filhote já deve começar a mostrar sua
superioridade hierárquica. Por exemplo, deve oferecer e retirar o
alimento quando bem entender e o filhote não deve rosnar em hipótese
alguma. Se ele o fizer, dê um puxão na pele do pescoço
e diga um sonoro NÃO. Ofereça e retire o alimento até
que ele entenda que não pode rosnar para você. Faça
isso com outros objetos, como ossos e brinquedos.
O cão, mesmo depois de adulto, deve permitir que qualquer objeto
ou comida seja retirado da sua boca. E isso deve ser-lhe ensinado desde
filhote. O filhote deve crescer sabendo que quem manda são os donos.
O dono nunca pode deixar que o filhote “ganhe”. Se é
proibido subir no sofá e o filhote insistir, deve ser retirado quantas
vezes forem necessárias, até que desista - nunca pode vencer
seu dono.
Saliente-se que o dono deve ser coerente: não deve permitir que suba
um dia e proibir no outro, o cão não irá entender.
Se você não quiser o cão pule em você, ensine-o
desde pequeno.Se ele pular, empurre-o e só lhe dê carinho quando
ficar parado.
A educação é um conjunto de pequenas atitudes que mostram
ao cão o que pode e o que não pode e principalmente que você
é o líder e ele deve lhe obedecer.
Lembre-se que enquanto o cão é filhote é normal que
faça alguns “estragos”, afinal ele nada mais é
que uma criança descobrindo o mundo – é apenas uma fase
e passa, e o dono deve ser compreensivo nesse período. Nessa fase,
deixe brinquedos à disposição do cão e retire
do seu alcance os objetos importantes ou perigosos.
Ao redor dos seis meses pode ser feito um adestramento de obediência,
pelo próprio dono ou por um bom profissional.
A partir de um ano, quando o Dogo se torna um “adolescente”
ele pode querer testar seu poder e desobedecer ao dono para ver quais são
seus limites. Continue firme nessa hora.
É bom salientar que educação e carinho convivem muito
bem. Você não vai estragar seu Dogo por mimá-lo –
muito pelo contrário. Como é um cão muito amoroso e
afetuoso, vai ser um cão muito mais feliz e seguro. O que não
se pode fazer é não impor limites, deixar que o cão
ocupe o lugar de líder.
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A história do Dogo Argentino é deveras fascinante. Tudo começou 1925, na província de Córdoba, Argentina, com os irmãos Antonio e Augustín Norez Martínez. Antonio, o guia e mentor, não tinha ainda 18 anos (seu irmão era um ano mais novo) quando concebeu e deu os primeiros passos na concepção do grande caçador, criado especialmente para a caça maior no terreno íngreme e diversificado da Argentina.
Nessa época eram comum "las peleas de perros", prática herdada pelos
cordobeses dos seus colonizadores espanhóis. Para tais combates, usava-se
uma mistura de Mastim Espanhol com Bullterrier, quando não Bullterrier puro
ou misturado com Buldogue Inglês. Usava-se também misturar o sangue do Boxer.
Dessa mescla de sangue foi se formando, através dos cruzamentos, um cão
imbatível na arena – o "Perro de Pelea Cordobés" – uma animal
extraordinário para o combate, de valor e resistência tremendos para a luta.
Morriam lutando, não recuavam jamais. Os duros combates a que eram submetidos,
geração após geração, foram fortalecendo cada vez mais sua valentia original.
E foi nesse cão, hoje extinto, que António baseou-se para desenvolver o
seu cão perfeito. O "Perro de Pelea Cordobés" possuía qualidades
primitivas essenciais, com uma excelente herança ancestral: Mastins (Alanos,
Perros de Toro – trazidos pelos espanhóis), Bullterrier, Buldogue Inglês
e Boxer. No entanto, necessitavam de olfato e velocidade para as caçadas.
Além disso, sua ferocidade com seus congêneres os tornavam inúteis para
a caça, pois era impossível levá-los em conjunto. Em contrapartida, os cães
importados da Europa tinham velocidade, agilidade e habilidade, mas faltavam-lhes
coragem e força.
O plano de Antonio era tirar proveito da extraordinária bravura do Cão de Luta Cordobês, misturando outras raças que dariam peso, tamanho, olfato, velocidade, instinto caçador e que coibiriam nele a ferocidade para com outros cães. Essa mistura resultaria em cães sociáveis mas com a grandiosa coragem primitiva, aplicada a um fim nobre e útil: a caça esportiva e o controle de pragas. Além do puma, que vitimava os rebanhos, os porcos selvagens (javalis) trazidos da Europa haviam se propagado de forma alarmante e passaram a atormentar os fazendeiros.
Ao "Perro de Pelea Cordobés", que era quase sempre branco, Antonio foi acrescentando linhas de sangue distintas, para evitar a consangüinidade, e outras raças diferentes, o que, aliado ao seu sacrifício, sabedoria e tenacidade, veio a resultar no nosso Dogo Argentino.
Os irmãos começaram seu projeto com dez fêmeas do "Perro de Pelea Cordobés" e foram inserindo nos cruzamentos com as seguintes raças:
Pointer: é o principal responsável pelo olfato do Dogo Argentino
e a ele se deve a qualidade de farejar no ar, o que evita desorientações
como ocorre com os Hounds e os Bassets, que farejam no solo e demoram mais
para encontrar a presa. O puma, por exemplo, anda em círculos para confundir
seus predadores.
O primeiro Pointer que ingressou na formação da raça foi importando da França.
A incorporação deu resultado e os filhotes obtidos começaram a desenvolver
o olfato, razão pela qual se investiu na mesma mistura de sangue, usando
um cão filho do primeiro Pointer e de outra fêmea francesa. O êxito da combinação
se deveu em grande parte ao fato de que os animais importados antes mencionados
eram campeões de estrutura e trabalho em sua terra natal.
Dogue Alemão: o Dogue Alemão, do tipo arlequim, foi introduzido com o objetivo de dar ao Dogo maior porte e cabeça. Os Nores Martínez usaram uma fêmea com pedigree, de propriedade de seu pai. Como o problema do tamanho foi uma constante para Antonio, ele também usou várias vezes em seus cruzamentos um gigantesco Dogue Alemão, filho de exemplares importados da Alemanha. O Dogue Alemão não só deu peso e tamanho, como outorgou uma boa cabeça ao novo espécime.
Boxer: contribuiu com sua vivacidade e inteligência, fornecendo a capacidade de assimilação das lições quando o Dogo se destina ao ataque e defesa e como guia de cegos, ao que se tem destinado com muito êxito.
Bullterrier: o Bullterrier fortaleceu a insensibilidade à dor, tão necessária em um combate com os poderosos inimigos dos pampas argentino.
Mastim Espanhol: forneceu rusticidade e potência sendo uma das bases do "Perro de Pelea Cordobés".
Buldogue Inglês: coragem, intrepidez, resistência, insensibilidade à dor e tenacidade na luta.
Dogue
de Bordeaux: foi introduzido por sua forte mandíbula, sua cabeça potente
e sua grande coragem. O encargo de transmitir a mais ampla e poderosa mordida
ficou a cargo de um cão não muito puro. Porém, se da pureza do sangue se
poderia ter algumas dúvidas, não se poderia tê-las de sua capacidade de
luta contra os pumas, que caçava reiteradamente. Neste cruzamento não se
insistiu em demasia, pois o criador da raça não gostava da tonalidade amarelada
que transmitia ao pêlo e que era muito difícil de eliminar.
Também se usou um descendente desse cachorro, fruto do cruzamento com uma
cadela Bullterrier.
Irish Wolfhound: deu velocidade e é, junto com o Dogue Alemão e o Mastim dos Pirineus, a quem o Dogo Argentino deve seu tamanho. O propósito de incluir genes do galgo irlandês para incentivar o espírito de luta contra as feras e aumentar o tamanho não pôde ser cumprido a princípio por um um exemplar puro, já que esses galgos foram sempre difíceis de se conseguir na Argentina. Tiveram de recorrer a um filho de uma fêmea pura trazida da Irlanda com um Dogue Alemão, visto que não se encontrou macho para cruzar com a dita fêmea. Todavia, os filhos resultantes desse cruzamento tornaram-se excelentes caçadores de javalis. Tempos depois puderam usar Irishes puros.
Mastim dos Pirineus: tamanho, altura, largura, rusticidade, olfato, acentuou o manto branco e deu força e resistência, em especial a adaptação a todos os climas, característica típica dos cães das montanhas. Foram usados exemplares importados dos Estados Unidos.
Num certo momento os irmãos Norez Martínez cuidavam de mais de trinta fêmeas. Isso não teria sido possível para dois jovens ainda na escola se não tivessem sido ajudados por sua família e amigos de seu pai. O senhor Martínez contratou um profissional para tomar conta dos cães enquanto Antonio e Augustin estavam na escola. Os irmãos despendiam todo seu dinheiro com alimentação para os cães. Os amigos de seu pai também faziam donações de alimentos para os animais, alegremente aceitas pelos irmãos.
Porém, o sonho e o plano de como torná-lo realidade era de Antonio. Ele era o gênio que guiava o programa e Augustin esteve sempre a seu lado. Mais tarde, quando Antonio tornou-se um respeitável cirurgião, seu conhecimento médico melhorou e refinou seu sonho. Ele escreveu o primeiro standard da nova raça em 1928.
Infelizmente, Antonio não viveu para ver seu sonho tornar-se realidade. Ele foi morto por um homem que queria roubá-lo em uma caçada a javalis, em 1956.
Augustin, então, levou o sonho de seu irmão adiante, trabalhando na nova raça e trazendo-a de volta de uma extinção próxima. Ele mudou a criação de Córdoba para Esquel, localizado na Patagônia, ao sul da Argentina.
Augustin tornou-se embaixador da Argentina do Canadá e usou essa oportunidade para difundir o Dogo através do mundo.
Grandes caçadores da Argentina e dos países vizinhos estavam usando o Dogo para caçar pumas e javalis e ele estava se tornando uma lenda.
O Dogo Argentino foi reconhecido pela Federação Cinológica da Argentina e pela Sociedade Rural Argentina em 1964. O Kennel Club Argentino, membro da Fédération Cynologique International (FCI), reconheceu a raça em 31 de julho de 1973.
Imagine
um garoto com um grande sonho, e um irmão tão devotado ao sonho do outro
que poderia dedicar toda sua vida a essa criação. A família toda, pais,
tios, amigos, fazendo o que podiam para ajudar esses garotos.
Quanto amor, devoção e determinação colocado nessa raça.
Foram
cinqüenta anos para criar o magnífico cão que nós conhecemos hoje como Dogo
Argentino.
Toda uma vida...
Os
criadores de hoje não podem se desviar dessa devoção.
É nossa obrigação lutar para manter o verdadeiro Dogo Argentino nos padrões
delineados por aquele que o concebeu.
Texto elaborado pelo Criadero Verdes Pampas
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CONFEDERAÇÃO
BRASILEIRA DE CINOFILIA
Filiada à Fédération Cynologique Internationale
Classificação F.C.I.:
Grupo 2 - Pinscher, Schnauzer, Molossóides, Boiadeiros e Montanheses
Suíços e raças assemelhadas.
Seção 2 - Molossóides
2.1 - Tipo Mastife
Padrão FCI no 292 - 29 de janeiro de 1999.
País de origem: Argentina
Nome no país de origem: Dogo Argentino
Utilização: Caça
Sem prova de trabalho.
Sergio Meira Lopes de Castro
Presidente da
Domingos Josué Cruz Setta
Presidente do Conselho Cinotécnico
Tradução: Bruno Tausz
Revisão: Suzanne Blum
Impresso em: 01 de julho de 2003.
DOGO ARGENTINO

NOMENCLATURA CINÓFILA UTILIZADA NESTE PADRÃO
01) Trufa
02) Focinho
03) Stop
04) Crânio
05) Occipital
06) Cernelha
07) Dorso
08) Lombo
09) Garupa
10) Raiz da cauda
11) Ísquio
12) Coxa
13) Perna
14) Jarrete
15) Metatarso
16) Patas
17) Joelho
18) Linha inferior
19) Cotovelo
20) Linha do solo
21) Metacarpo
22) Carpo
23) Antebraço
24) Nível do esterno na cernelha
25) Braço
26) Ponta do esterno
27) Ponta do ombro
a) profundidade do peito
b) altura do cotovelo
a + b = altura do cão
RESUMO HISTÓRICO: Esta raça é originária da província de Córdoba, situada na região mediterrânea do território da República Argentina. Seu criador foi o Dr. Antonio Nores Martinez, membro de uma tradicional família desta província. Em 1928, sua paixão por cães, talvez por legado familiar, levou-o a elaborar as bases e o standard por uma nova raça, que ele chamou de DOGO ARGENTINO. Seu trabalho partiu do cruzamento metódico entre várias raças puras com o "Velho Cão de Briga de Córdoba", um cão muito forte e vigoroso, mas com faltas físicas e genéticas. Este cão era o produto de uma mestiçagem entre Mastiffs, Bulldogs e Bullterriers, e era muito conhecido e apreciado nesta época entre os fanáticos aficcionados por briga de cães, uma atividade muito popular entre todas as classes sociais. Depois de um estudo de caráter e seleção, em várias gerações, consegue seu objetivo e forma a primeira "família". No começo foi considerado um cão de briga, mas a paixão do Dr. Nores Martinez pela caça, fez com que ele levasse o cão para uma de suas costumeiras caçadas, onde a nova raça demonstrou suas qualidades passando a ser a figura principal em todas as suas saídas. Esta metamorfose o levou, hoje, a ser um cão versátil em suas funções, demonstrando ser um nobre exemplar de companhia e um fiel e incorruptível protetor daqueles que ele ama.Sua força, tenacidade, olfato e bravura fizeram dele um cão inigualado na caça de javalis, pecaris, pumas e outras espécies predadoras da agricultura e pecuária que habitavam as vastas e heterogêneas regiões do território argentino. Sua harmonia, equilíbrio e sua excelente musculatura, própria de um atleta, são características ideais para suportar longas travessias em qualquer tipo de intempérie e depois ainda sustentar um árduo combate com a presa perseguida. Em 21 de maio de 1964, a raça foi reconhecida pela Federação Cinológica Argentina e pela Sociedade Rural Argentina, que abriram por ele seu "Registro Genealógico" iniciando sua inscrição. Em 31 de Julho de 1973, a raça foi aceita pela Federação Cinológica International como a primeira e única raça argentina, graças a grande paixão e inigualável trabalho do Dr. Augustin Nores Martinez, irmão e sucessor do seu criador.
APARÊNCIA GERAL: Molosso de tipo normal, mesomorfo e macrotálico dentro das proporções desejadas, sem gigantescas dimensões. Seu aspecto é harmonioso e vigoroso, devido aos seus poderosos músculos, debaixo de uma consistente e elástica pele, aderidos ao corpo por um tecido subcutâneo pouco solto. De andar tranqüilo, seguro, inteligente e de reações rápidas, demonstrando permanente alegria em seus movimentos. De caráter cordial e afetuoso, uma admirável cor branca, suas virtudes físicas o mostram um verdadeiro atleta.
PROPORÇÕES IMPORTANTES: Por ser um animal mesoformo, nenhuma
de suas regiões se salienta de seu corpo que é harmonioso
e equilibrado.
Mesocéfalo: o focinho deve ter o mesmo comprimento que o crânio.
A altura da cernelha é igual à altura da garupa.
A altura do tórax é igual a 50% da altura da cernelha.O comprimento do corpo ultrapassa a altura da cernelha em 10%.
COMPORTAMENTO
/ TEMPERAMENTO: Alegre, franco, humilde, amigável, pouco ladrador,
demonstrando sempre ser consciente de seu poder.
Jamais deve ser agressivo, caraterística que deve ser severamente
observada. Sua atitude dominante o mostra em contínua competição
territorial com exemplares do mesmo sexo, caraterística mais notável
nos machos. Como caçador é astuto, silencioso, valente e corajoso.
CABEÇA: de tipo mesocefálico, de aspecto forte e poderosa, sem ângulos abruptos nem cinzelamento, mostra um perfil côncavo-convexo; convexo no crânio devido ao relevo dos músculos mastigadores e da nuca; e ligeiramente côncavo no focinho. Articulado com o pescoço forma um arco de forte musculatura.
REGIÃO CRANIANA
Crânio : maciço, convexo em sentido antero-posterior e transversal.
Com arcos zigomáticos muito separados do crânio formando uma
ampla fossa temporal que possibilita o grande desenvolvimento do músculo
temporal. O occipital não é muito proeminente devido ao forte
músculo da nuca. A depressão central do crânio é ligeiramente definida.
Stop: ligeiramente definido, dando transição entre a convexidade
cranial a uma ligeira concavidade facial. Visto de perfil, dá-nos
uma imagem de definido, devido ao relevo das arcadas superciliares.
REGIÃO FACIAL: Comprimento igual ao do crânio.
Trufa: narinas amplas; pigmentação preta. Ligeiramente elevada
de frente dando à terminação a concavidade do focinho.
Visto de perfil, a linha anterior é perpendicular e reta, coincidindo
com o bordo do maxilar ou ligeiramente anterior a ele.
Focinho: forte, um pouco mais longo do que profundo, bem desenvolvido em
largura, com seus lados ligeiramente convergentes. A linha superior é
ligeiramente côncava, característica quase exclusiva do Dogo
Argentino.
Lábios: moderadamente grossos, curtos e aderentes, com os bordos
livres e de preferência pretos.
Maxilares / Dentes: maxilares fortes e bem adaptados sem prognatismo superior
ou inferior. Os maxilares devem ser ligeiramente convergentes dando homogeneidade às arcadas dentárias. Os maxilares asseguram uma capacidade
máxima de morder. Dentes grandes, bem desenvolvidos firmemente dispostos
em linha, limpos e sem cáries. A completa dentição
é recomendada, dando prioridade à homogeneidade das arcadas
dentárias. Mordedura em torquês, aceitando mordedura em tesoura.
Bochechas: longas e relativamente planas, sem dobras, relevos ou cinzelamento,
cobertas por pele forte.
Olhos: escuros ou cor de avelã, protegidos por pálpebras com
bordas de preferência pretas sendo que a ausência de pigmentação
não é falta. Amendoados, inserção média
e ampla, separação entre ambos.
A expressão deve ser alerta e viva, ao mesmo tempo, bem firme, especialmente
nos machos.
Orelhas: inseridas altas e, lateralmente, bem separadas devido à
largura do crânio. Funcionalmente, deverão apresentar-se cortadas
e eretas, em forma triangular e de um comprimento que não exceda
50% do bordo anterior do aurículo da orelha natural. Sem serem cortadas,
as orelhas são de comprimento médio, grossas, planas e arredondadas
na ponta. De pelagem lisa, ligeiramente mais curta do que no resto do corpo,
podem ter pequenas manchas que não devem ser penalizadas. Em posição
natural, são pendentes cobrindo a parte traseira das bochechas. Em
alerta, elas podem ser semi-eretas.
PESCOÇO: de comprimento médio, forte e reto, bem musculoso com uma ligeira linha superior convexa. Em forma de cone truncado, junta-se à cabeça em um musculoso arco que esconde todos os relevos ósseos desta região e se fixa, no tórax, numa base larga. Coberto por uma pele elástica e grossa que se desliza livremente sobre de um tecido celular subcutâneo ligeiramente mais solto do que no resto do corpo, fazendo suaves dobras não pendentes na altura da garganta; esta característica é fundamental para a função do cão. A pelagem nesta região é ligeiramente mais longa.
TRONCO: o comprimento do corpo (medido da ponta do ombro até a ponta
da nádega) é superior em 10% à altura na cernelha.
Linha superior: nivelada; a cernelha e a ponta da anca têm a mesma
altura, constituindo os pontos mais altos.
Cernelha: larga e alta.
Dorso: largo e forte, com músculos cheios, bem desenvolvidos, formando
uma ligeira inclinação para o lombo.
Lombo: forte e escondido pelo desenvolvimento dos músculos lombares
que formam um sulco de mediano ao longo da coluna vertebral. Ligeiramente
mais curto que o dorso, subindo ligeiramente para o topo da garupa. O desenvolvimento
dos músculos, na parte da linha superior, confere aos exemplares
a característica de um perfil ligeiramente cedido, sem chegar a ser,
o que se acentua nos cães adultos, devido à grande musculatura
dorso-espinhal.
Garupa: de comprimento médio, larga e musculosa, deixando ligeiramente
à vista a ponta do ílio e ísquio. Sua largura é
igual ou ligeiramente menor do que a do tórax, mantendo um ângulo
com a horizontal de mais ou menos 30%, o que marca em sua linha superior
um ligeiro declínio convexo para a inserção da cauda.
Peito: largo e profundo. A ponta do esterno é nivelada com a ponta
do ombro (articulação escápulo-umeral) e com a linha
inferior do tórax na altura dos cotovelos. Tórax amplo, dando
máxima capacidade respiratória com costelas longas e moderadamente
arqueadas que articulam com o esterno na altura da linha dos cotovelos.
Abdome: ligeiramente recolhido sobre a linha inferior do tórax, nunca
esgalgado, forte e de boa tensão muscular como nos flancos e lombos.
CAUDA: de inserção média, em ângulo de 45° com a linha superior. Em forma de sabre, grossa e longa; atingindo os jarretes, sem ultrapassá-los. Em repouso é caída naturalmente. Quando o cão está em ação é ligeiramente portada acima da linha superior e em constante movimento lateral. Em trote é portada ao nível da linha superior ou levemente acima dela.
MEMBROS
ANTERIORES: vistos em conjunto, representam uma unidade forte e de robusta
conformação ósseo-muscular, proporcionais ao tamanho
do animal. Aprumos perpendiculares tanto de frente como de perfil.
Ombros: altos e proporcionados, muito fortes com grandes relevos musculares,
sem exageros. Oblíquos com a horizontal de 45°.
Braços: comprimento médio e proporcional ao conjunto. Forte
e de importante musculatura, com um ângulo de 45° com a horizontal.
Cotovelos: robustos, cobertos de uma pele mais grossa e elástica
sem dobras e sem rugas. Naturalmente situados contra a parede costal parecendo
formar parte dela.
Antebraços: de igual comprimento que os braços e perpendiculares,
com ossos fortes e retos com bom desenvolvimento muscular.
Articulação do carpo: longo e em uma mesma linha com os antebraços,
livre de sobre-relevos ósseos e rugosidades.
Metacarpos: ligeiramente planos com bons ossos e inclinados de 70° a
75° com a linha horizontal.
Patas dianteiras: redondas com dedos curtos, robustos e bem fechados. Almofadas
carnosas e duras cobertas de pele dura e áspera ao tato.
POSTERIORES: Angulações médias. Vistos em conjunto
são fortes e paralelos, dando a imagem de força e potência
que sua função requer, assegurando a suficiente impulsão
e determinando o típico modo de andar.
Coxas: comprimento proporcional ao conjunto. Fortes, com importante e muito
visível desenvolvimento muscular. Ângulo coxofemoral próximo
a 100°.
Joelhos: colocados no mesmo eixo do membro; ângulo fêmoro-tibial
cerca de 110°.
Pernas: ligeiramente mais curtas que as coxas, fortes e com os mesmos músculos
bem desenvolvidos.
Jarretes: o conjunto tarso-metatarso é curto, forte e firme, assegurando
a força de propulsão do membro posterior. Tarso robusto, com
a parte do jarrete evidente. A articulação tíbio-tarsiana
forma um ângulo perto de 140°. Metatarso robusto, quase cilíndrico
e aprumado em 90° com a horizontal. Ergôs devem ser removidos.
Patas traseiras: idênticas às patas dianteiras, ligeiramente
menores e mais longas, mas com as mesmas características.
MOVIMENTAÇÃO: ágil e firme; com notórias modificações quando alguma coisa o interessa, mudando de atitude com reflexos rápidos, típicos desta raça. Passo pausado. Trote amplo, de boa suspensão anterior e potente propulsão. No galope mostra toda sua energia, desenvolvendo toda a potência que possui. As quatro patas deixam rastros simples e paralelos. Passo de camelo é considerado uma falta grave.
PELE: homogênea, ligeiramente grossa, mas suave e elástica. Aderente ao corpo por um tecido subcutâneo semi-frouxo que lhe permite movimentos livres, sem formar rugas relevantes, exceto na região do pescoço onde o tecido subcutâneo é mais frouxo. Com a menor pigmentação possível, apesar desta aumentar com a idade. A pele excessivamente pigmentada não é aceita. Preferem-se exemplares com os bordos das mucosas labiais e as pálpebras pigmentadas de preto.
PELAGEM
Pêlo: uniforme, curto, liso e suave ao tato com um comprimento aproximado
de 1,5 cm a 2 cm. Sua densidade e grossura variam segundo os climas. Em
climas tropicais a pelagem é fina e rala (deixando transparecer a
pele fazendo-se visíveis as regiões pigmentadas, o que não
é motivo de penalização) e mais grossa e densa nas
regiões frias onde pode aparecer subpêlo.
COR: integralmente branca. Admite-se, unicamente, uma mancha preta ou de
tonalidade escura ao redor dos olhos, não cobrindo mais de 10% da
cabeça. Entre dois cães de iguais condições,
o juiz sempre deverá escolher o mais branco.
TAMANHO
altura na cernelha: Machos: 62 a 68 cm.
Fêmeas : 60 a 65 cm.
FALTAS GRAVES
falta de desenvolvimento ósseo-muscular (debilidade).
trufa pouco pigmentada.
lábios pendentes.
dentes pequenos, débeis ou cariados. Dentição incompleta.
olhos excessivamente claros, entrópio ou ectrópio.
peito em barril, peito em quilha.
costelas planas.
excessiva angulação dos membros posteriores.
jarrete excessivamente comprido.
andar atípico.
excessiva pigmentação cutânea em exemplares jovens.
pequenas zonas com coloração de pêlo.
desequilíbrio nervoso.
FALTAS
ELIMINATÓRIAS
trufa sem pigmentação.
prognatismo superior ou inferior.
olhos azuis ou de cores diferentes.
surdez.
pelagem longa.
manchas na pelagem do corpo. Mais de uma mancha na cabeça.
tamanho inferior a 60 cm ou superior a 68 cm.
agressividade.
FALTAS: qualquer desvio dos termos deste padrão deve ser considerado
como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.
NOTAS:
• os machos devem apresentar os dois testículos, de aparência
normal, bem desenvolvidos e acomodados na bolsa escrotal.
• todo cão que apresentar qualquer sinal de anomalia física
ou de comportamento deve ser desqualificado.
CBKC
n° 292 de 10/4/1994.
FCI n° 292 de 31/7/1973.
Grupo: 2 (Pinscher, Schnauzer, Molossos e Boiadeiros Suíços).
Seção 2 A: Molossos - Tipo Dogue
País de origem: Argentina
Nome do país de origem: Dogo Argentino.
Nome adotado pela CBKC: Dogue Argentino
Prova de trabalho: para o campeonato, independente.
Textos entre parênteses: são explicações aprovadas pelo Club de Criadores
de Dogo Argentino, confeccionadas por criadores da raça.
Crânio: massudo, convexo, longitudinal e transversalmente, em razão
do relevo muscular dos mastigadores e da nuca.
Focinho: de comprimento igual ao do crânio, assim, o stop está situado
na metade da distância do occipital à ponta do focinho(1). (Separamos crânio
e focinho, mas é o conjunto de ambos que define a tipicidade da cabeça do
Dogue pertencendo ao tipo mesocefálico, devendo delinear um perfil convexo/
côncavo: o crânio convexo pelo relevo da inserção dos músculos mastigadores,
clássico do crânio de cão de presa do tipo mastigador e do focinho, ligeiramente
côncavo e arrebitado, próprio do cão de excelente olfato, o que, em resumo,
significa que o Dogue Argentino tem crânio de mastigador e focinho de farejador,
uma integração funcional, reunindo faro alto (ventor) e exímo mordedor.
Arcos zigomáticos bem afastados do crânio, formando uma fossa temporal ampla,
para a cômoda inserção do músculo temporal, um dos principais mastigadores)
Olhos: escuros ou cor de avelã. Pálpebras com orlas pretas ou claras.
Inseridos bem separado, de expressão esperta e inteligente, mas, ao mesmo
tempo, com marcante dureza. (Os olhos claros ou pálpebras vermelhas reduzem
a pontuação. A desigualdade de cores - sarcos - é falta desqualificante).
Maxilares: bem articulados, sem prognatismo, fortes, com dentes grandes
e bem inseridos. (Não importa o número de molares. O mais importante é a
homogeneidade das arcadas dentárias, a ausência de cáries e ausência de
prognatismo superior ou inferior, e especialmente, os quatro caninos, que
são grandes, limpos e perfeitamente articulados, cruzando-se, na mordida,
ao fazer a presa)
Trufa: preta e muito bem pigmentada, narinas bem amplas, com um ligeiro
Stop(3). (A trufa branca ou muito manchada de branco desconta pontos. Trufa
fendida ou lábios leporinos é falta desqualificante).
Orelhas: de inserção alta, portadas eretas ou semi-eretas, de forma
triangular, devem apresentar-se sempre cortadas. (O juiz não deve julgar
um Dogue Argentino com orelhas inteiras, devendo retirá-lo da pista. Na
fêmea pode-se aceitar um corte de orelhas um pouco mais longo, como no Dogue
Alemão. No macho é preferível um corte um pouco mais curto. O Dogue Argentino
é um cão de presa: durante a luta as orelhas longas permitem uma presa fácil
e muito dolorosa. Além disso, razões estéticas tornam necessário o corte
das orelhas)
Lábios: bem ajustados, secos, de bordas livres, pigmentados de preto.
(Exige-se o lábio curto, para que, quando o cão estiver fazendo a presa,
possa respirar também pela comissura labial. Se os lábios fossem pendentes,
apesar do maxilar ser bastante longo, fariam o papel de válvula, impedindo
a inspiração suplementar pelas comissuras labiais, fechando a comissura
e obrigando-o a soltar a presa, por insuficiência respiratória, como acontece
nas raças de lábios pendentes).
Occipital: completamente oculto pelos potentes músculos da nuca,
não pode ser marcado, sendo a inserção de cabeça e pescoço em forma de arco.(Confunde-se
com a curva da linha superior do crânio).
Pescoço: grosso, arqueado, elegante, com a pele da garganta muito
grossa, formando rugas como no Mastim, Dogue de Bordeaux, Bulldogue e não
esticada como no Bull Terrier. (A elasticidade da pele no pescoço se deve
à grande flacidez do tecido desta região, possibilitando o deslizamento
da pele sobre a aponeurose superficial, de tal maneira que os caninos ou
as garras inimigas não consigam atingir os músculos, apenas, o couro. Por
exemplo: no caso de um Puma tentar segurá-lo pelo pescoço, a pele elástica
esticar-se-ia muito, permitindo-lhe, também, fazer a presa).
Peito: amplo, profundo, dando a sensação de possuir pulmões grandes.
Visto de frente, o esterno deve atingir um nível abaixo dos cotovelos. (Sendo
o Dogue Argentino um cão de trabalho e luta, óbvio destacar a necessidade
de um peito profundo e amplo, pela importância da respiração).
Cernelha: alta, muito forte, de grandes relevos musculares.
Tórax: amplo, visto de perfil, a linha inferior atinge o nível dos
cotovelos.
Linha superior: mais alta na cernelha, inclinada em direção à garupa,
em suave declive. (nos adultos quando o desenvolvimento muscular do dorso
e dos rins é bom, visto de perfil, nota-se relevo dos músculos espinhais,
formando um canal mediano ao longo da coluna).
Anteriores: retos, bem aprumados. As patas têm dedos curtos e bem
compactos. (O comprimento dos dedos guarda uma proporção com a da pata.
Têm almofadas plantares altas, bem carnudas com uma sola muito áspera ao
tato, como calosidades que permitam correr muito, por terreno áspero e pedregoso,
sem ferir-se).
Lombo: oculto pelos músculos do dorso(2).
Posteriores: coxas muito musculosas, com jarretes curtos e dedos
bem fechados, sem ergôs. (Com boa angulação lembrando sempre que são os
responsáveis pela propulsão, velocidade e sustentação na luta corpo a corpo,
portanto, nunca será demasiado insistir quanto à importância da força na
musculatura da coxa. Os dedos de lobo (ergôs) tão fácil de serem suprimidos
nos primeiros meses, descontam pontos, como característica recessiva do
Dogue dos Pirineus, porém não ocorrendo em desqualificação)
Cauda: grossa e longa, sem ultrapassar as jarretes, portada naturalmente
caída. Durante a luta, a mantém levantada, em contínuo movimento lateral,
como quando faz festa ao dono. (Deve ter-se presente que a cauda constitui
uma grande ajuda, tanto na mudança de direção durante a corrida, atuando
como leme, em ação compensatória, como na luta, servindo de sustentação
ou ponto de apoio, colaborando no trabalho dos membros posteriores).
Peso: de 40 a 45 quilos.
Altura: de 60 a 65 centímetros. (Tanto na altura como no peso, o
juiz deve ser inflexível, pois sendo o Dogue Argentino um cão de luta, entre
as raças de caça maior, a redução do tamanho lhe tira eficiência. Entre
vários exemplares bons prefere-se o de maior altura. Os criadores da raça
ensinaram que o Dogue Argentino é um normotipo e dentro disso um macrotálico,
quer dizer, que deve existir uma harmonia na proporção, que sob o ponto
de vista funcional, é eurritmia ou seja normal correlação orgânica, que
se traduz por uma maior altura e peso, naturalmente, sem chegar ao gigantismo).
Cor: completamente branco. Toda e qualquer mancha de cor deve desqualificar
o exemplar por ser uma característica atóvica. (Os brancos com a pele muito
pigmentada de preto, devem ser considerados como exemplares inaptos para
a criação, pelo caráter recessivo que demonstram e que pode passar a ser
dominante nos filhos, se forem acasalados com exemplares que, potencialmente,
tenham este defeito. As manchas pequenas na cabeça não são motivo de desqualificação,
mas entre dois exemplares equivalentes, o desempate será pelo exemplar que
mais se aproxime do completamente branco. Por outro lado, qualquer mancha
no tronco é motivo de desqualificação).
Faltas: qualquer desvio dos termos deste padrão deverá ser considerado
como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.
Desqualificações:
1. Olhos de cores desiguais.
2. Surdez.
3. Manchas no corpo.
4. Pêlo longo.
5. Trufa branca ou muito manchada (despigmentada).
6. Prognatismo inferior ou superior.
7. Lábio muito pendente.
8. Cabeça afilada.
9. Orelhas inteiras (não operadas).
10. Altura inferior a 60 centímetros.
11. Mais de uma mancha na cabeça.
12. Toda e qualquer desproporção física.
Nota:
os machos devem apresentar dois testículos visivelmente normais, totalmente
descidos na bolsa escrotal.
COMENTÁRIOS: de Bruno Tousz, diretor cinotécnico da CBKC, publicados
juntamente com o padrão, sem fazer parte dele:
(1)Tivemos que alterar um pouco o texto porque o texto original refere-se
a um osso (apófise orbitária do osso frontal) inexistente nas espécies caninas
e poderia dar margem a discrepâncias de interpretação, que tanto preocupa
os criadores.
E, para o outro extremo da medida, oferecem o bordo alveolar do maxilar
superior, o que, trocando em miúdos, significa o extremo distal da maxilia,
que nada mais é do que o osso que contém os alvéolos (orifícios) onde ficam
engastadas as raízes dos dentes incisivos da maxila, chamados "pinça" resolvemos simplificar: o stop fica na metade do comprimento total da
cabeça.
(2)Lombo (rins): oculto (apagado) pelos músculos do dorso. Provavelmente
o dorso seria oculto pelos músculos do lombo...
(3)Consegue-se entender que os criadores se preocupam com discrepâncias,
nas arbitragens, mas essa preocupação fica explicada ao ler-se a relação
das desqualificações, depois deste comentário logo abaixo do item trufa.
"A trufa branca ou muito manchada de branco desconta pontos. Trufa
fendida ou lábios leporinos é falta desqualificante".